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Léa Seydoux relembra bastidores de Azul É a Cor Mais Quente e fala sobre “assédio psicológico”

Léa Seydoux volta a falar sobre bastidores de Azul É a Cor Mais Quente e segurança nos sets.
Léa Seydoux em notícia sobre bastidores de Azul É a Cor Mais Quente e segurança nos sets Léa Seydoux em notícia sobre bastidores de Azul É a Cor Mais Quente e segurança nos sets

Léa Seydoux voltou a falar sobre os bastidores de Azul É a Cor Mais Quente e reacendeu uma discussão antiga, mas ainda necessária, sobre limites, exposição e segurança emocional durante filmagens de cenas íntimas.

A atriz francesa, que interpretou Emma no longa dirigido por Abdellatif Kechiche, descreveu a experiência como marcada por desconforto e desgaste psicológico. O filme, lançado em 2013, venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e se tornou uma das obras LGBTQIA+ mais comentadas do cinema contemporâneo, mas também ficou conhecido pelas controvérsias envolvendo seus bastidores.

Durante entrevista recente, Léa relembrou a sensação de desconforto no set e afirmou que a parte mais difícil das filmagens não estava apenas nas cenas em si, mas no ambiente criado ao redor delas.

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“Às vezes, há olhares que te deixam desconfortável. Essa foi a parte mais difícil durante as filmagens. Foi assédio psicológico.”

Léa Seydoux

Um filme premiado, mas cercado por polêmicas

Azul É a Cor Mais Quente marcou uma geração de espectadores ao retratar a relação entre Adèle e Emma, duas mulheres que vivem uma história intensa de descoberta, desejo e amadurecimento. Para muitas pessoas, o filme abriu espaço para conversas sobre amor entre mulheres no cinema de grande circulação.

Ao mesmo tempo, desde sua estreia, a produção também foi alvo de críticas pela forma como as cenas íntimas foram conduzidas. As protagonistas já haviam comentado publicamente que o processo de filmagem foi exaustivo, especialmente pela repetição de tomadas e pela ausência de limites mais claros durante determinadas sequências.

Essa dualidade acompanha o filme até hoje: uma obra celebrada por sua força cinematográfica, mas também questionada por expor atrizes a um processo que elas mesmas descreveram como difícil e emocionalmente pesado.

Léa Seydoux passou a impor novos limites

Depois da experiência em Azul É a Cor Mais Quente, Léa afirmou que mudou sua postura em trabalhos posteriores. Segundo a atriz, hoje ela faz questão de revisar previamente cenas de nudez ou exposição física antes de aceitar que seu corpo seja exibido daquela forma no corte final.

A declaração reforça uma discussão cada vez mais presente no audiovisual: o direito de atrizes e atores participarem das decisões sobre cenas íntimas, especialmente quando envolvem nudez, vulnerabilidade e exposição emocional.

Esse debate ganhou ainda mais força nos últimos anos com a presença de coordenadores de intimidade nos sets, profissionais responsáveis por garantir segurança, consentimento e comunicação clara entre elenco e direção.

 

Por que esse debate importa para o público LGBTQIA+?

A repercussão envolvendo Azul É a Cor Mais Quente também importa para o público LGBTQIA+ porque o filme, por muito tempo, foi uma das referências mais populares sobre romance entre mulheres no cinema internacional.

No entanto, a forma como histórias sáficas são representadas também precisa ser discutida. Não basta colocar mulheres queer em cena: é necessário perguntar quem está contando essa história, como essas cenas são dirigidas e se as atrizes envolvidas se sentiram protegidas durante o processo.

Quando uma obra LGBTQIA+ é construída a partir de desconforto, exposição excessiva ou falta de cuidado, o debate ultrapassa o filme e chega ao próprio modo como a indústria enxerga corpos femininos e relações entre mulheres.

“Representatividade também precisa caminhar junto com respeito, escuta e segurança para quem dá vida a essas histórias.”

Redação Manzouque

Uma discussão que continua atual

Mais de uma década depois do lançamento, Azul É a Cor Mais Quente segue sendo lembrado tanto por seu impacto artístico quanto pelas críticas aos bastidores. As novas declarações de Léa Seydoux mostram que algumas experiências permanecem abertas para quem as viveu.

A atriz, que atualmente segue em evidência no cinema europeu e internacional, reforça com seu relato a importância de ambientes de filmagem mais seguros, especialmente quando cenas íntimas fazem parte da narrativa.

No fim, a discussão não apaga a relevância histórica do filme, mas amplia a forma como ele deve ser lido hoje: não apenas como uma obra premiada sobre amor e desejo, mas também como um exemplo de por que limites, consentimento e cuidado precisam estar no centro do audiovisual contemporâneo.

 

 

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